quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

E se o céu fosse sempre azul?


O dia amanhece cinzento, o sol mostra-se tímido por entre as nuvens tristes.
O rosto das pessoas amanhece, tal como o dia, cinzento. As roupas que vestem são pesadas, o guarda-chuva torna-se numa presença (quase) constante, o trânsito torna-se caótico, as mães passam a ter a insistente preocupação de que os seus filhos não adoeçam nesta estação tão propícia a gripes e constipações, as filas nos hospitais tornam-se intermináveis, as farmácias enchem, o frio toma conta dos lares, o número de mortes de idosos devido ao frio aumenta exponencialmente, bem como os incêndios resultantes das tentativas das pessoas em se manterem quentes através de aparelhos eléctricos, alguns deles menos aconselhados… em suma, os rostos entristecem-se, a vida torna-se mais rotineira e os dias passam a situar-se algures entre a melancolia e a solidão.
Mais do que manifestações físicas, o Inverno traz à tona emoções que nos dias soalheiros de Verão se encontram escondidas por entre os ofuscantes raios de Sol.
É nos dias cinzentos e chuvosos que as pessoas sentem uma maior tendência para a reflexão, como se essas gotas de água se tratassem de um elixir que as faz pensar. Não é, afinal, tão comum ouvir frases como «este tempo deixa-me triste»?
É no Inverno que a tão sazonal preocupação para com os sem-abrigo surge, como sempre, uma vez no ano. Será que só o frio e a chuva os tornam infelizes? Será que nos dias de Verão, também o Sol nasce para eles?
É ao som das gotas de chuva a bater na janela e ao olhar as árvores já despidas de folhas que se pensa acerca de decisões erradas, de arrependimentos, de futuros rumos a seguir… E quando um raio de Sol espreita por entre as nuvens, um fragmento de esperança surge, iluminando o dia.
Contudo, haverá algo mais belo do que uma serra coberta pela neve, no Inverno? Haverá algo mais entusiasmante do que construir bonecos de neve, do que brincar com bolas de neve, como se voltássemos a ser crianças? Haverá maior sensação de liberdade do que correr por entre a chuva, como que desafiando a Natureza, sentindo que voltámos a ter, de novo, 4 anos e ignorando os avisos preocupados dos nossos pais?
Para mim, tal como para a maioria das pessoas, o Inverno transporta uma carga negativa, uma sensação de melancolia.
Não gosto de dias cinzentos, não gosto de roupas pesadas, o guarda-chuva torna-se num «inimigo» constante. Pessoalmente, também me incomoda o facto de ser encharcada por um camião que passa a alta velocidade por cima das poças de água da estrada.
Contudo, também é preciso pensar: e se os dias fossem sempre de Sol? E se o céu fosse sempre azul? E se nunca houvesse uma nuvem a ameaçar libertar toda a água contida sobre nós, comuns mortais? Se assim fosse, viveríamos sempre numa falsa e aparente felicidade, acreditando que também os nossos dias eram luminosos e aflitivamente simples. Assim, nunca conheceríamos um céu cinzento e nunca permitiríamos que também os nossos olhos libertassem todas as lágrimas contidas dos dias aparentemente felizes, que não passariam de uma mera ilusão. 
    É importante que saibamos encontrar um equilíbrio saudável entre ambas as perspectivas, entre o Sol e a chuva, entre o frio e o calor, entre os dias luminosos e os dias cinzentos, entre a alegria de Agosto e a melancolia de Dezembro. É importante conciliar todas estas realidades (aparentemente) dicotómicas, não desejando que a vida seja sempre um Verão, mas não deixando que se torne num constante Inverno.

Ana Margarida Machado

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Educar.


 
«Educar é viajar no mundo do outro sem nunca penetrar nele. É usar o que pensamos para nos transformar no que somos.
O maior educador não é o que controla, mas o que liberta. Não é o que aponta os erros, mas o que os previne. Não é o que corrige comportamentos, mas o que ensina a reflectir. Não é o que observa apenas o que é tangível aos olhos, mas o que vê o invisível. Não é o que desiste facilmente, mas o que estimula sempre a começar de novo.
Um bom educador abraça quando todos rejeitam; anima quando todos condenam; aplaude os que nunca subiram ao pódio; vibra com a coragem de disputar dos que ficaram nos últimos lugares. Não procura o seu próprio brilho, mas faz-se pequeno para tornar os seus filhos, alunos e colegas de trabalho grandes.»

Augusto Cury